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Vamos parar de invisibilizar nossas mulheres! | 10 ESCRITORAS BRASILEIRAS QUE VOCÊ PRECISA LER

02 junho 2016


Sim, apesar de termos muitas mulheres talentosíssimas na nossa literatura nacional, elas são sempre relegadas à segundo plano, nunca estão no topo da nossa lista de recomendações ou no topo da nossa lista de próximas leituras. Sempre tem um Machado de Assis, Caio Fernando Abreu ou Paulo Leminski pra vir primeiro. "Elas até devem ser boas, vai, mas eu queria tanto conhecer o trabalho Dalton Trevisan primeiro... Depois eu arrumo um tempo pra conferir Clarice Lispector."

Chega disso, tá bom? Chega de priorizarmos sempre os homens. Vamos apoiar e valorizar as nossas artistas. E se você está perdido e não sabe por onde começar, eu separei uma listinha mara com 10 escritoras brasileiras que precisam sair do pano de fundo da literatura nacional e ocuparem os topos de todas as prateleiras.



Um grande beijo e até já!

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Das solidões que me afligem agora

28 maio 2016


Meu poema favorito de Bukowski é, como de praxe, o poema favorito de todos os artistas pedantes que estão soltos por esse mundo agora. Segue mais ou menos assim:

OH, YES!
existem coisas piores
do que estar sozinho
mas geralmente leva décadas
para perceber isso
e quase sempre
quando você o faz
já é tarde demais
e não há nada pior
do que
tarde demais.

(Charles Bukowski) - poema original aqui.

A partir daí, sempre cresci tendo a certeza mais do que absoluta de que eu poderia aguentar tudo nessa vida, menos a solidão. Eu tenho pavor da solidão. Sabe aquilo que fez Gabriel García Márquez escrever Cem Anos de Solidão? Pois é, só serviu para comprovar o que desconfiava: a solidão enlouquece a humanidade.

Hoje, estou no Rio de Janeiro, uma das maiores cidades do Brasil. Existem 6 milhões de pessoas nas ruas à minha volta. Eu escuto os sons das falas, dos passos, da noite... Eu definitivamente não estou só. Até saio a maior parte dos dias! Vou respirar o ar da Lapa, levar uns tapas na cara, saio para beber, conheço sempre novas pessoas, conto a minha história, me alimento da arte e da comida de rua. Mas o maldito vazio continua lá. Ele adormece quando faço tudo isso - mas ainda continua lá - e se manifesta cada vez maior no caminho de volta para casa. Na manhã seguinte. E nos dias em que ninguém fala comigo.

Comecei a colocar essas palavras para fora hoje na tentativa de tentar compreender o que é, de fato, a solidão e por qual motivo às vezes eu me sinto tão só - tão profundamente e irremediavelmente só - que por mais que eu me cerque de gente, a solidão permanece lá. Escrever sempre foi o melhor caminho para o meu processo de auto-entendimento. E já agora eu compreendo.

Eu sinto uma necessidade de compartilhar minha vida. Como se não me bastasse viver por viver, mas me fosse preciso viver para contar. Entende? Eu quero chegar em casa e contar o que eu aprendi hoje nas ruas. Quero compartilhar um pouquinho sobre as experiências que estou tendo. Quero que tenha alguém interessado em me conhecer por inteiro, saber tudo o que eu andei fazendo... 

E não se enganem ao pensar que falo de um par romântico! Sempre achei tão fácil encontrar alguém para viver um romance. Sair em encontros, beijar novas pessoas, conhecer outros corpos... Não adianta fazer nada disso se a solidão for continuar lá.

Não sei como terminar esse post. Sei que aqui também é um lugar onde eu posso compartilhar minha vida e matar um pouco essa minha sede de viver para contar. Mas só isso não me basta. Apesar deu agradecer a ajuda...

Fiquem então com mais um poema do Bukowski, sobre a necessidade de que botar fora aquilo que de repente explode dentro de você:

então queres ser um escritor?
se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.

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Vanessa. Paraibana, leonina, amante dos animais e de homens com cabelos compridos. Isso é basicamente tudo que você precisa saber sobre mim, o resto você descobre nas páginas do blog. ♥

 
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